Terceira Transformação: O Caminho do Mago

Posted by Jorge Puente Marcadores:

Estamos por começar a Terceira Transformação, que incluirá 4 cartas: A Justiça, A Temperança, A Força e O Eremita. Esta transformação vai ser um pouco mais complexa do que as anteriores, pois é a chamada Transformação do Mago. Nela o objetivo é tomar o controle dos nossos impulsos e idéias e aprender a modificar nosso entorno de forma positiva. Ou seja, através dela começaremos a trilhar o Caminho do Mago, o que é um grande desafio e também uma das maiores aventura que podemos viver. Vamos lá?


O Caminho do Mago

Nesta nova fase da nossa viagem nosso herói vai entrar nas famosas 4 Lições Morais que formam o Caminho do Mago: A Justiça, A Temperança, A Força e O Eremita. Nestes próximos arcanos vou sair da numeração tradicional e passar para a ordem seguida por Juliet Sharman-Burke, autora do Tarot Mitológico, que é diferente da ordem tradicional. Estas cartas aparecem muitas vezes em diferentes posições (segundo diferentes autores) e sempre existe uma boa razão para isso. Muitas dessas razões são de ordem numerológica ou mística, muitas relacionadas à Santa Qabbalah, algumas psicológicas (ver o livro de Sallie Nichols) e todas essas sequências têm seu fundamento. No nosso caso vamos usar a ordem do Tarot mitológico, pois é a mais adequada para descrever esta transformação. E vamos começar pela carta da Justiça.

Arcano VIII - A Justiça

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A Justiça que tem os olhos abertos

Diferente do que podemos pensar, a Justiça do Tarot não está necessariamente relacionada à justiça humana. Tem vezes que ela pode indicar problemas de ordem legal ou situações onde o consulente pode esperar que certa ação seja recompensada ou castigada, mas a maior parte das vezes tem um significado mais profundo. A Justiça trabalha com o equilíbrio das situações, com o poder de ordenar que a mente possui. Segundo a autora do Tarot Mitológico, ela é representada por Atena, deusa da Justiça, a deusa filha de Zeus. Segundo a autora “o julgamento de Atena não tem por base o sentimento pessoal, mas a avaliação objetiva de todos os fatores contidos numa situação”. É muito engraçado que quando vemos alguma situação que nos indigna no dia-a-dia e pedimos “justiça”, normalmente estamos num estado profundamente emocional. E a “justiça” neste caso implica a satisfação da nossa revolta emocional. Queremos que os “culpados” sejam “castigados” e rapidamente, de preferência. Sentimo-nos profundamente envolvidos, mas esse envolvimento é emocional. Emocional. Ou seja, o contrário à definição que vimos da Justiça.
Os antigos gregos eram conscientes dos perigos do julgamento emocional, por isso criaram o arquétipo de Atena. Ela avaliava com equanimidade, com a mente e não com o coração. Ela levava em conta todos os fatores antes de dar o veredito. Isso é difícil, pois na maior parte das vezes estamos envolvidos em um ou outro lado da disputa, e é difícil ser imparciais nesse caso.
Vamos ampliar mais um pouco a definição da Justiça? Segundo Sallie Nichols, ela está relacionada também ao equilíbrio e à compensação. Segundo ela não existe uma retribuição perfeita, mas uma compensação pelo dano sofrido. Ou seja, mesmo quando um juiz falha ao nosso favor, ele não pode nos devolver aquilo que a outra pessoa tirou de nós. Vamos receber uma “compensação”, mas nunca uma restituição 100% do que perdemos. Isso é insatisfatório, não é? Deixa um gostinho amargo no fundo da boca. Ganhamos, mas a vitória não é doce...
Só isso? Vamos receber algo, mas nunca o que perdemos? Paramos por ai?

Não, vamos aprofundar o tema (senão fica frustrante, certo?). Bem, a Justiça também está relacionada à Harmonia. Como assim? Bem, na antiguidade não existia o conceito de “oposto”. Oposto significava simplesmente “que estava enfrente”. Por exemplo, a parede norte é “oposta” a parede sul de um cômodo, mas as duas são necessárias para sustentar o teto. Os antigos gregos e egípcios entendiam a dualidade como um complemento. O dia seguia à noite e esta ao dia. A enchente do Nilo acabava e seguia a seca e logo outra enchente. Na Europa, as estações alternavam-se. Frio e calor, luz e escuridão, tudo era complementar. A dualidade era tomada como um complemento, não como uma oposição. A ideia do ciclo era poderosa. Num famoso mito grego, quando Apolo cede o carro do Sol para seu filho Faeton e este perde o controle, ameaçando destruir a Terra, Zeus destrói a Faeton. Ele não destrói o rapaz por ira ou vingança, mas para restabelecer o equilíbrio. Ele não faz “justiça” no sentido atual (como um castigo), mas ele “ajusta” o que está desajustado, devolvendo a Harmonia ao sistema Céu – Terra. Então agora temos mais uma definição para a Justiça: Harmonização. Por isso no Tarot de Crowley a carta da Justiça chama-se “Ajuste” e ao observar a carta sentimos certa frialdade emanando dela. Talvez não seja frialdade, mas ausência de emoções. A Justiça de Crowley “ajusta” as situações, coloca as coisas no seu devido lugar, sem sentimentalismos.
Ao estudar a carta vemos que tudo é equilibrado nela (realmente ela é bem diferente das representações tradicionais da Justiça nos outros baralhos). Tudo é dual e tudo está equilibrado!

E tudo isso afeta você de que jeito? Bem, quando a Justiça aparecer numa tiragem de tarô, é hora de começar a avaliar todos os elementos do problema. Pense profundamente qual é seu papel e o papel dos outros. Tente deixar de lado a parte emocional (eu sei, é difícil, muito difícil, mas faz um esforço...) e volte a ver o problema desde uma perspectiva imparcial e objetiva. A pergunta que pode surgir nesse caso é: será que continuo lutando ou é o momento de parar? E se for ao contrário? Você pode enfrentar uma situação e colocar ordem nela, mesmo sendo desagradável? Você pode ser a mão equilibradora da justiça, mesmo ficando como uma pessoa chata ou ruim na frente dos outros? O que é mais difícil para você, sair de uma briga ou entrar em uma?
Aceitar a Justiça, o Ajuste, sempre vai exigir de você uma grande honestidade intelectual, saber reconhecer o que está “certo” e o que está “errado” em uma determinada situação. O pensamento claro e sem emoções é indispensável aqui. Ou quase. Lembre-se sempre de colocar uma pitada de amor no seu julgamento. No antigo Egito, a Deusa da Justiça era Maat e ela estava sempre sorrindo, pois entendia os conflitos como situações a serem equilibradas e só isso. Ela não repartia castigos, só lições que, se aprendidas, nos poupariam futuras dores.
Tente tomar a decisão correta, que geralmente é a mais difícil. No final, a Justiça vai ficar grata com você... e o resto dos envolvidos também!

Imagens:
- A Justiça (Tarot Mitológico): Atena com os símbolos tradicionais e a coruja, um antigo símbolo de sabedoria.
- A Justiça (Tarot da Eternidade): A Justiça como mediadora
- O Ajuste (Tarot Thot - Crowley): A figura é claramente simétrica mostrando como o conflito na parte inferior transforma-se em harmonia na parte superior da carta através da ação da Justiça.


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Arcano XIV - A Temperança

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E assim, depois de termos passado pelo frio raciocínio da Justiça, chegamos a um novo arcano. Um anjo feminino está nos esperando aqui, o anjo da Temperança. Ela está tranquilamente derramando um líquido entre dois recipientes. Embora a imagem esteja quieta, sempre tive a impressão de que ao terminar de esvaziar o recipiente superior, ela repete o procedimento ao contrário! Ou seja, as emoções representadas pela água se movimentam calmamente e essa é a ideia deste arcano. Sentimentos calmos fluindo equilibradamente (existe uma referência ao Anjo do Tempo nesta carta, mas de momento vou deixar fora desta análise). Depois da dureza do pensamento da Justiça, esse equilíbrio emocional é reconfortante.
Achamos a Temperança ao sair da frialdade da carta anterior. Ela está ai para nos mostrar como usar nossas emoções de forma positiva. Já aprendemos com a Justiça a pensar com equanimidade. Agora vamos aprender com a Temperança a sentir com equanimidade! Pois essa é a mensagem deste Arcano.
Embora seja uma das mensagens mais simples e claras é também uma das mais difíceis de aplicar. Nossa civilização leva milênios tentando ser mais equilibrada emocionalmente. Acho que conseguimos melhorar bastante, mas estamos longe da meta almejada. Seguimos sendo presa fácil dos nossos arranques emocionais! Um carro nos fecha no trânsito e pronto, já estamos furiosos, xingando alguém a quem nunca vimos antes e a quem, muito
possivelmente, nunca mais veremos na vida! Em segundos reagimos com violência numa discussão familiar e falamos algo horrível, do qual vamos nos arrepender amargamente pouco depois, mas o dano já está feito. Consertar essas feridas pode nos levar meses, anos ou talvez nunca fechem. Parece que é bem difícil conseguir ser calmos, e uma vez que conseguimos sempre vem alguém a nos provocar e (finalmente) a nos arrastar novamente à violência! Mas a mensagem está clara. Não está? Será que não entendemos o que a Temperança está dizendo para nós???
Muito bem, vamos lá. Para analisar esta maravilhosa e complexa carta vou usar uma abordagem um pouco diferente das tradicionais. Vocês já sabem que uso muito a simbologia de Jung e os conceitos de Sallie Nichols para o Tarot (e às vezes o Tarot de Thot, de Alesteir Crowley, ou o Mitológico de Sharmam-Burke), mas neste caso vou usar os conceitos de dualidade de Grant, Soror Nema e Debbie Ford. Começamos?

Vamos partir dessa violência que todos levamos dentro e que se manifesta, aparentemente sem controle, em certos momentos (quase sempre no momento mais importuno!). É interessante notar que nossa sociedade gasta muito tempo tentando nos ensinar a manter a calma. Os valores da paciência e da tolerância são exaltados na maioria das religiões. Deveríamos ser capazes de perdoar setenta vezes sete, segundo o Mestre Jesus. Amar ao próximo é um dos axiomas fundamentais do cristianismo. E então o que é que está acontecendo??? Por que o mundo não parece um jardim do éden???
Podemos ver, em paralelo, uma onda crescente de violência se espalhando pelo mundo. Porque enquanto nossas religiões pregam (teoricamente) o amor ao próximo vemos, por exemplo, centos de filmes “para todas as idades” onde o herói resolve a situação ferindo e matando dezenas (senão centos) de “inimigos”. Esses filmes são campeões de bilheteria. Ou seja, nós assistimos a esses filmes... e gostamos!!! Claro, porque se não gostássemos, eles não iriam durar em cartaz nem uma semana e muito menos iriam produzir sequelas! Violência nos filmes estrangeiros, nos nacionais, nas novelas. Violência nos jornais. Violência vende, certo? Ou seja, a maior parte de nós gosta dessa parte escura da sociedade, isso é um fato!
Bem, e como compaginamos isso com esse ser de asas angelicais que está calmamente passando líquido de um recipiente a outro? Seguindo a linha de Grant e Ford, em primeiro lugar temos que olhar para essa parte desagradável que levamos dentro, a responsável pelo nosso mau humor, nossos arranques de raiva e de intolerância. Está ai e não adianta negá-la. Quanto mais a negarmos, mais ela cresce e, no momento em que adquire suficiente força, surge e toma controle da situação. Esse ser escuro está sempre esperando ser liberado. Você não conhece alguém “super gente fina” que quando bebe dá escândalo? Quando o álcool abaixa as defesas, a sombra aparece. Sim, esse é o nome: a Sombra. Está ai e nenhuma meditação, nenhuma boa ação, nenhum controle mental vai fazer com que ela diminua seu tamanho. E então? Bem, para começar é bom reconhecê-la. Reconhecer a Sombra é o primeiro passo. Tem vários métodos para isso (o livro da Debbie Ford é um bom começo para quem estiver interessado). Conhecer a nossa sombra e saber escutá-la é o início de uma vida mais equilibrada. Quando você entende as mensagens dela, o dia a dia fica bem melhor!

Reconhecendo essa Sombra no nosso interior, estamos reconhecendo que somos seres duais. Que esse nosso lado “bom” tem uma contrapartida não tão boa, mas real. E essa parte “ruim” está ai com alguma finalidade. Geralmente, quando aprendemos a escutá-la, ela nos dá mensagens muito esclarecedoras (se você não aprende a ouvir a sombra neste passo, que é mais fácil, ela te espera na carta da Força, mas lá já tem o tamanho de um leão, viu? Acho melhor você começar a falar com ela agora, que está mais para gatinho...).
E a aplicação prática? A mensagem é muito simples: somos seres duais e o melhor caminho é o caminho do meio! Evite as atitudes extremas. Ninguém está pedindo que você seja um santo nem estão pedindo que você seja um monstro. Tente ser equânime no seu comportamento, e isso implica reconhecer quando você está bravo ou quando você está tranquilo. Lembra da carta da Justiça? Aqui é o mesmo, mas com as emoções. Se você ficou bravo por alguma coisa, avise aos envolvidos e tome as providências para que isso não se repita. E se você ficou feliz com alguma coisa, fale também. Agradeça a quem te fez um favor. Corte aqueles que tentam abusar de você. Não é fácil, pois é o começo de uma nova forma de se relacionar com o mundo. Talvez por isso a mensagem deste arcano seja transmitida por um anjo!
Perca o medo de ser desagradável. Perca o medo de ser agradável. Diga o que pensa com educação e vai se surpreender de como as pessoas vão ficar mais felizes na sua companhia!
Imagens:
-A Temperança (Tarot of Dreams)
-A Temperaça (Ancient Egiptian Tarot)
-A Temperança na sua versão clássica (Tarot Ambre)


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Arcano IX - O Eremita

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O Eremita caminha na escuridão, guiado só pelo seu conhecimento do caminho e uma pequena lanterna que leva na sua frente. O que será que simboliza?
Segundo as explicações tradicionais do tarô, o Eremita indica um momento para nos recolher no nosso interior, para se afastar do mundo e ficar a sós durante um tempo. Seria um momento para refletir sobre o que aconteceu e revisar as lições aprendidas. Segundo Waite, além deste significado o Eremita, ao levantar seu farol com autoridade, nos diz “onde eu estou, você pode estar”. Ou seja, ou auto conhecimento que nos liberará está no nosso interior e todos nós podemos ter acesso a ele, como o Eremita.
Na nossa sociedade atual a introversão não é muito bem vista. Não a criticamos, simplesmente não nos interessa. Nosso mundo está cheio de imagens, sons, apelos publicitários, aventuras rápidas, modas, etc. Somos bombardeados continuamente com um monte de estímulos externos que, virtualmente, não nos deixam pensar. Em realidade, a sociedade pensa por nós. Ela nos indica que bebida tomar (temos várias, com ou sem álcool, com diferentes sabores, etc. Mas são todas padronizadas. Tente dizer para alguém tomar um suco de berinjela com salsinha para ver a expressão dele...), que roupa vestir, que lugares frequentar e que configuração de família é a correta. Frente a essa enxurrada de estímulos externos, fica muito difícil elaborar algo interno. E quase sempre a solução está no nosso interior. Saber como achá-la é a missão do Eremita.

Outro ponto é que fomos criados com medo à solidão. Verdade. Quase ninguém percebe, mas temos verdadeiro pavor de ficar sozinhos. Estamos sempre rodeados de amigos, festas, saídas, colegas de trabalho, maridos, esposas, filhos, família numerosa, etc. Dizemos que tudo isso nos sufoca, mas preferimos esse sufoco a ficar sozinhos. Aliás, quando algum colega ou amigo mora sozinho, ficamos com pena dele. “Coitadinho, você imaginou o que é chegar a casa e não achar ninguém te esperando?” Mas, por que esse medo? Porque ao ficarmos sozinhos nossos fantasmas interiores aparecem. Aparecem dizendo que somos um fracasso, que nossa vida é medíocre, que somos perdedores... Como podemos evitar isto? Bem, se você já conheceu as três guias anteriores, já sabe como separar os pensamentos verdadeiros dos falsos. Os pensamentos negativos podem aparecer, mas você pode afastá-los com a luz da verdade, que é a luz do Eremita.
Nas cartas posteriores ao Tarot de Marselha ele aparece ás vezes na escuridão, só iluminado pelo farolzinho. A luz dele dissipa as trevas em volta e nos faz sentir seguros! Em outros tarôs ele aparece em plena luz do sol e, mesmo assim, a luz do seu farol ainda é radiante, um indicativo de que não é uma luz comum, mas a luz do espírito que pode nos guiar sempre. Segundo Oupensky, ele pode nos guiar através dos fogos ilusórios que ardem ao lado do caminho...
Vamos à aplicação prática?
Quando o Eremita aparece no jogo de Tarô, é hora de se recolher. O que significa isso? Bem, nem sempre significa que você deva se afastar da sociedade. Significa que você deve se recolher no seu interior e avaliar sozinho o que está acontecendo na sua vida. Neste momento nenhum conselho externo servirá, por mais bem intencionado que possa ser. Procure as respostas no seu interior. Esse processo só pode ser feito no silêncio e na calma, por isso às vezes é recomendável fazer um retiro ou uma viagem sozinho (mas isso não é imprescindível). Nesse período de recolhimento você avalia sua vida, o que está fazendo, o que quer ser. Você está onde queria?

Está fazendo o que queria? Por que está fazendo isso? Por que não está fazendo aquilo? Ao ficar só em silêncio, longe do barulho do mundo, que nos diz o que fazer a toda hora e em todo momento, a voz do Eremita aparece. Sua voz interior vai lhe dar as respostas necessárias. E quando você acha as respostas no seu interior, a força e a sabedoria adquiridas são enormes! Você adquire uma certeza inabalável. Sabe o que está fazendo e por que o está fazendo.
E quando você voltar para o Mundo, completo e com as respostas que precisava, levante a lanterna e ajude àqueles que precisam de respostas. Lembre que a mensagem do Eremita é simples: “Onde eu estou, você pode estar também”. Uma vez que você conhece seu caminho, sua luz ajudará a iluminar as vidas dos outros. Não com estridência nem prepotência, mas com a calma e certeza do Eremita, que pode guiar a todos desde o silêncio e a sabedoria interior.
Bem vindos ao Caminho do Mago!

Imagens:
1) O Eremita como o sábio silencioso no Tarot de Waite
2) O Eremita em sua versão tradicional do Tarot de Marselha
3) O Eremita controlando as trevas no Tarot Ansata


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Arcano XI - A Força

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A Força
O Poder Feminino

Chegamos à carta da Força após nosso treinamento espiritual, emocional e mental com o Sumo Sacerdote e a Justiça. Se você conseguiu cumprir com as dicas dos dois mestres anteriores, pode encarar esta carta sem medo.
No final, o que simboliza a Força? Bem, olhando para a carta vemos uma imagem bastante inusual (claro que no Tarot, que imagem é usual???). Vemos uma jovem abrindo a boca de um leão só com suas delicadas mãos. Isso é um fato impossível de ver na vida diária. Então, o que é que ele significa? E outra pergunta: a Força refere-se à jovem ou ao leão?
A carta da força está relacionada à carta do Mago. Como? Se olharmos a numeração, vemos que o número dela é 11 (mesmo que nesta sequência ela não ocupe esse lugar). O onze nada mais é que dois uns juntos. É um dos números místicos por excelência, indicando ação correta. E é isso que nossa jovem está fazendo, está aplicando a ação correta. Ela pode ser considerada uma sublimação do Mago. Por ter controlado tanto a mente racional (através do domínio da Justiça) quanto à emocional (através da Temperança), nossa maga controla agora sua Sombra. E mais do que isso: ela consegue ter a Sombra ao seu serviço! Isso está bem representado no Tarot de Marselha, onde a cor dourada do leão se expande ao chapéu em forma de oito deitado (a lemniscata, símbolo do infinito) que ela está usando. Em quase todos os tarôs ela é representada como nova e elegante, um produto do refinamento da cultura. E essa moça gentil e refinada está abrindo a boca de um leão e controlando-o aparentemente sem esforço!

Diferente do Mago, que dependia dos seus instrumentos para poder exercer a magia, no caso dela a magia já está incorporada no seu interior. Ela não precisa de nenhum elemento externo para manifestá-la, a magia flui naturalmente através das suas mãos e controla a besta. Mas que controlar, parece que eles estão numa interação agradável e é isso mesmo: ela abre a boca do leão e este deixa que sua força se una à moça. A nossa maga pode então usar a força da besta temível. Por falar disso, o que representa o leão, no final das contas?
O leão (às vezes uma pantera, ou um dragão) representa uma das coisas mais temidas por todos nós: a nossa Sombra. Tudo aquilo que rejeitamos, as características da nossa personalidade que não aceitamos. A violência. A raiva. O Medo. No caso da Força, a Sombra aparece como um leão e só um mago formado pode controlá-la. A incrível força animal interna poderia destruir a nossa jovem maga, mas ela está tranquila. Tranquila mas atenta. Ela sabe que não pode perder o controle, ou a Sombra irá devorá-la. Mas um mago treinado dificilmente perde o controle, e se o faz, o recupera rapidamente. Ela não corre risco nenhum, realmente.
Bem, e como podemos aplicar isto na nossa vida diária, para lograr nossa transformação? Tal como disse num princípio, se você entendeu e está aplicando os ensinamentos da Justiça e da Temperança, já tem meio caminho andado. Porque para dominar o leão da Sombra, você vai precisar de todo o controle adquirido com as duas mestras interiores. A Sombra já é conhecida aqui: sabemos que ela existe e já se comunicou conosco. Mas agora vamos chamá-la para que ela manifeste todo seu poder. Vamos permitir que ela irradie esse poder para fora, para o mundo, através de nós. Será que estamos preparados para isso?
Bem, se não controlamos totalmente as duas cartas anteriores, a Força é uma carta que nos indica que devemos enfrentar o desafio à nossa frente usando os poderes do espírito feminino: unidade, sedução, tranquilidade, amor... Aparece nesses casos onde a força física ou a agressividade não vão funcionar, pois nossos adversários são mais fortes. Nesses casos, onde a nossa sombra apareceria e nos levaria ao combate, só para externar a raiva dela, a Força adverte para não usá-la e aplicar, no lugar dela, a força espiritual, a calma e o autocontrole. Se tentarmos usar a Força com todo seu poder neste estágio, depois de um primeiro momento de aparente sucesso ela nos devorará e seremos controlados pelas paixões mais baixas. E isso não é nada agradável.

Agora bem, se aprendemos bem as lições da Justiça e do Sumo Sacerdote, nosso autocontrole deve de ser bom. Conseguimos ser honestos conosco e com os demais, conseguimos controlar a ira e o pensamento frio e amoral. Nossa mente e nosso coração estão em equilíbrio. Nesse caso, poderemos invocar a Sombra e ela irradiará com força total, seu poder passando através de nós sem nos afetar. Sentiremos sua Força nos atravessando, nos permeando, nos enchendo de poder! Um poder imenso, capaz de modificar a realidade, que era o que pretendíamos: o Poder do Mago, que é capaz de produzir mudanças no seu entorno através da Vontade. Agora somos os guias e direcionadores desse poder. Ele nunca será nosso, pois pertence à Sombra, mas ela nos permitirá direcioná-lo segundo nossa sagrada Vontade. O mundo começa a se modificar, na frágua ardente da Sombra, e nós junto com ele...
Entramos no Reino da Magia!

Imagens (a numeração da carta muda segundo a versão do Tarot):
1) A Força no Tarot de Marselha
2) A Força no Tarot de Waite
3) A Força no Tarô do Círculo Ancestral
Podemos ver que, embora a numeração mude entre 8 e 11, o nome da carta permanece o mesmo, diferente de outros casos em que a numeração não muda mas o nome e significado sim).

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Terceira Transformação

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O Caminho do Mago
Realizar a terceira transformação significa que você controla seus pensamentos, suas emoções, sua Sombra e sua Palavra. Como é feito isto? Qual a finalidade?
De todas as Transformações, esta é a mais complexa e talvez a mais poderosa. Você já aprendeu a criar no mundo material usando a Primeira Transformação e a seguir sua Vontade usando a Segunda Transformação. Agora vai a aprender a caminhar pelo mundo percebendo tudo, mas sem ser afetado por nada que você não quiser, a ver sem ser visto, a orientar usando sua Palavra, a calar nos momentos certos. As outras duas transformações lhe davam poder sobre si mesmo. Esta vai lhe dar poder sobre o entorno através do seu autocontrole. Você vai começar entender como é o Caminho da Magia.
Os Magos são seres raros. Na maior parte das vezes, misteriosos. Às vezes falam muito pouco... às vezes falam muito! O exterior calmo esconde, geralmente, corações apaixonados e crenças vigorosas. São como vulcões sempre ativos mas quase sem sinais externos que indiquem essa atividade. Porém, através da aparente calma, a ardente alma do Mago agita tudo em volta dele, ativando a energia dos seus discípulos e das pessoas que o rodeiam. Nada fica estático na presença de um Mago formado, pois a essência dele é o movimento contínuo.
Claro que para você se transformar em um mago, deve ser iniciado por um Mago. Bem, isso não parece tão fácil, os Magos não são a coisa mais abundante nesta sociedade... mas o Caminho é para todos, então vou lhe oferecer uma ferramenta para que você possa usar pelo menos alguns dos atributos de um Mago, mesmo sem estar iniciad@. E se um dia você fazer sua Iniciação, pelo menos não vai ter que aprender isto de novo!
A palavra aqui é Autocontrole. Tem muitos métodos para atingir essa finalidade (Meditação, o Poder do Agora, etc.). Aqui vamos a usar quatro Arcanos do Tarot. Eles vão lhe ensinar como ter o controle dos seus pensamentos e emoções.
É importante entender que você vai continuar a ter emoções, pensamentos negativos, positivos, euforia, tristeza, etc. Só que vai controlar esses estados rapidamente e eles vão lhe afetar cada vez menos.
A Transformação vai nos levar aproximadamente de quatro a seis semanas. Começamos?

O primeiro controle é o dos pensamentos. Contrariamente ao que acreditamos, os pensamentos precedem as emoções. Geralmente nossas emoções são resultado de pensamentos escondidos, dos quais não temos conhecimento. Então, na primeira semana de trabalho você vai avaliar seus pensamentos, principalmente os de intolerância, desprezo, condenação e por que não, os de aceitação e aprovação. Por que você rejeita uma situação ou pessoa? Por que as aprova? Quem lhe ensinou isso? É válido hoje? Faça isso durante dois dias e então você vai
começar a incorporar a energia da Justiça. Como? Quando tenha detectado e isolado os pensamentos negativos e positivos, faça uma lista com eles. Pegue a carta da Justiça e imagine que você é ela. Esta é uma técnica antiga e muito eficiente: você vai incorporar os atributos de uma força arquetípica. Pense: se você fosse a Justiça, qual seria seu julgamento sobre esses pensamentos negativos? Faça isso para cada um dos pensamentos que você catalogou. No final do quinto dia você vai ter uma visão bem diferente do mundo que o rodeia e das crenças que você achava intocáveis. Mantenha o exercício até completar a semana. Ah, um aviso: se suas crenças mudaram, não fale disso com ninguém ainda. Evite as discussões. Respeite as crenças dos outros (esse é um dos atributos do Eremita). Se quiser, pode continuar com o procedimento durante uma semana mais, mas se sente que já está bem, pode passar para nossa segunda guia espiritual...
O segundo controle é o das emoções. Na segunda semana de trabalho você vai prestar atenção nos seus sentimentos. Veja aquilo que você gosta. Veja aquilo que você não gosta.

Se tiver dúvidas, volte para a carta da Temperança. Preste especial atenção às coisas que você rejeita com violência. Elas são, geralmente, os indicadores que levam a sua Sombra. De quem você tem raiva? Por quê? Avalie cada situação com honestidade. É hora
de abandonar aquela frase de “meu santo não bate com o del@”. Os santos não batem nem deixam de bater! Averigüe por que você não gosta de algo ou de alguém. Pare de ficar nervoso a toda hora! Ensinaram-nos que bater de frente é sinal de força, que impõe respeito, mas a maior parte das vezes só nos estressa e nos deixa como mal educados. Você deve saber quando brigar e quando não brigar e isso só é possível com a análise equilibrada da Temperança. Miles de anos atrás o grande estrategista Sun-Tzu iniciou seu tratado sobre a guerra com a famosa frase “vencerá quem saiba quando lutar e quando não lutar”. Sun-Tzu era ciente da enorme força do descontrole emocional e como podia precipitar um exército à derrota por lutar no momento errado.
Por outro lado, com que situações ou pessoas você é tolerante? Essa situação ou pessoa merece sua tolerância? O que opinam outras pessoas em volta? É muito comum a gente defender pessoas ou situações que nos resultam “simpáticas”, mesmo sabendo que está errado. Por que sou tolerante? É correto? Estou sendo honesto comigo mesmo e com os outros? Como você pode ver, a Temperança opera tanto sobre as emoções “negativas” quanto sobre as “positivas”.
A partir do quinto dia você vai incorporar os atributos da Temperança e passar cada situação pelo crivo dela. Se você não conseguir imaginar a Temperança, procure entre seus conhecidos uma pessoa que você considere equilibrada e justa. Pense: o que ele/ela faria nesta situação? Faça este exercício até completar os sete dias.
Agora, antes de passar para o terceiro passo, aconselho que você passe uma semana mais se exercitando no controle dos seus pensamentos e das suas emoções.
Uma vez que estiver pronto, vamos para o terceiro passo: trabalhar a Força.

Na terceira parte da nossa transformação vamos usar a Força para controlar o nosso mundo. E o controle será exercido sobre a única pessoa que podemos realmente controlar: nós mesmos. Não adianta, embora você pense que pode controlar os outros, isso é ilusório. Mesmo as pessoas mais invasivas e autoritárias são dribladas e passadas para trás. Sem contar que o tempo e a energia gastos nos nossos intentos de controlar os outros são enormes. Então vamos nos voltar para o mais simples: nosso autocontrole (de novo!).
Se você fez direitinho a lição de casa das duas partes anteriores, já sabe o que é que você gosta, não gosta, respeita ou não respeita. Agora você pode enfrentar situações desagradáveis sem o temor a explodir ou brigar. Você pode enfrentar uma
situação chata e avaliar o que está acontecendo e por que. Então essa vai ser a tarefa da semana: você vai enfrentar uma ou duas situações desagradáveis, em casa ou no trabalho. Ou melhor, você vai deixar de fugir: se ficar quieto, com certeza a situação vai chegar até você. Esse é o momento esperado: deixe de correr, fique firme e enfrente a situação. Avalie o que está vendo e ouvindo: quanto é certo e quanto é falso? Qual é a sua parcela de responsabilidade nisso? Pode ser resolvido? Lembre-se que nesta fase não podemos ganhar as brigas no grito ou na violência, então vamos ter que analisar o que está acontecendo. Uma vez feita a análise você entende que a briga não tem sentido (e portanto nem vale a pena continuar brigando). Algumas vezes a briga tem sentido e, nesses casos, o mais simples é enfrentar e resolver a situação de vez. Por exemplo, uma amiga minha passava por um mau momento no serviço. A chefe vivia tentando infernizar a vida dela. As brigas nunca terminavam, o clima estava horrível para trabalhar. Até que ela decidiu avaliar a situação e sua participação nela. Para começar parou de brigar. Dois dias depois foi num famoso advogado e relatou a situação. Ele a instruiu sobre como se comportar daí para frente e ela ficou bem mais tranqüila. No serviço, as colegas ficaram sabendo da visita dela ao advogado... e a chefe também. A situação mudou: a mulher não estava tendo uma briga pessoal com minha amiga, estava enfrentando um profissional competente e frio. A situação esfriou. Minha amiga passou a ignorar qualquer provocação e a se concentrar no seu trabalho. Pouco tempo depois o contrato da chefe dela acabou e a mulher foi embora. A clave esteve em entender o porquê da briga (a Justiça) e depois tirar as emoções negativas dela (a Temperança). A Força manifestou-se no momento em que ela decidiu não continuar brigando e transferiu a energia de luta para um agente externo sem carga pessoal. Ela ganhou... sem esforço.
Poderia contar muitos casos semelhantes para vocês, mas acho que este é suficiente e ilustra bem o ponto.
E ai, você já conseguiu controlar seus desafios? Isto pode demorar um pouco mais de uma semana... mas o esforço vale a pena!
(Sobre a liberação e o controle da Sombra, mencionados na carta da Força, eles levam mais tempo e não são essenciais para esta Transformação).
Agora que você já pode enfrentar seus desafios e sente o poder do controle da própria Força, chegou a hora de fechar a transformação com a energia do Eremita.
Quarta e última parte da Transformação. Se você chegou bem até aqui, já deve estar sentindo a Força se agitando no seu interior. Sentir que está no controle da sua vida dá uma sensação de euforia e pode facilmente destruir todo o trabalho anterior. Por isso é hora de chamar o Eremita.
Então seu treinamento desta semana será ficar quieto e observar tudo em volta. Fale o mínimo e escute muito. Neste momento você já deve ter percebido que tem resposta para muitos dos problemas das pessoas que te rodeiam. A tentação de falar disso com elas é enorme. Fique quieto e observe. Na hora certa as pessoas vão te procurar.

A mensagem do Eremita é simples: levante a luz (sua força e seu conhecimento) em silêncio e deixe que ilumine os outros. Os interessados vão querer saber mais. Fale com eles. O resto do tempo fique calado... e curta o seu trunfo!
Com este último passo completamos a Terceira Transformação. Se vocês voltam a ler as anteriores, vão descobrir que esta transformação é muito parecida à segunda. Pelo menos até a carta da Força, certo? O trunfo obtido na carta da Força parece com o trunfo do Carro. Acontece que a Terceira Transformação é uma sublimação da Segunda Transformação, onde você aprendeu a obter Independência e Determinação. Na Terceira Transformação você aprende a modificar seu entorno, expandindo assim o alcance da segunda transformação. A diferença é que as energias usadas aqui são muito maiores e precisam de um amortecedor, que é a energia do Eremita. Sem ela o triunfo está condenado, pois mesmo se você consegue o que queria, ficará preso num mundo de ilusão, separado das outras pessoas. Não preciso dizer que esse é o destino de muitos amigos nossos que atingiram o “sucesso” pregado pela sociedade, só para descobrir um mundo de solidão. O Sucesso, sem a companhia dos nossos seres queridos, é vazio. Parece uma frase trilhada, mas é a absoluta verdade. O sucesso só é gostoso quando temos verdadeiros amigos para compartilhá-lo. O Rey que comanda o Carro não é muito bom para fazer amigos, mas o Eremita é. Ele vai levar você a ter sucesso e manter o contato com as pessoas e assim poder compartilhar esse sucesso e aumentar sua felicidade!
Bem, então vamos ao resumo da Terceira Transformação: Ao enfrentar um desafio ou uma situação complicada, seja objetiv@ (A Justiça), mantenha a calma (A Temperança), lute através da parte espiritual (A Força) e, após o trunfo, seja discreto e esteja pronto para ajudar os outros (O Eremita).
Aguardo vocês no mundo da Magia!

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