O Enamorado

Posted by Jorge Puente




A terrível escolha
Chegamos assim à carta do Enamorado. Esta carta também é conhecida como Os Amantes. A carta muda também. No tarot de Marselha mostra um homem dividido entre duas mulheres, tendo que escolher uma delas. No tarot de Waite, em compensação, mostra um casal feliz. Ela é uma das cartas que apresenta mais versões em diferentes baralhos. Ou seja, parece que ninguém consegue se decidir se é uma carta boa ou ruim... Ótimo para uma carta que fala de escolhas, não acham?
Do que foi citado acima, da para sentir o poder da carta, não é? Bem, de qualquer jeito vamos ter que falar nela, pois nossa próxima Transformação começa justo com ela. Já li e estudei várias explicações sobre ela, mas vou me basear na interpretação de Sallie Nichols. Existem outras, mas esta vai servir para nossos propósitos.
Se você observar a carta do Tarot de Marselha, vai ver que o homem está dividido entre duas mulheres. Uma delas é mais velha, poderia ser a mãe, mas não temos certeza. A outra é loira e bonita. A primeira posa sua mão no ombro do homem e ele está voltado para ela, mas aqui entra outro personagem, que em primeira instância passa desapercebido: o anjo sobre eles. Veja que ele já apontou a seta para a loira, então, mesmo que o rapaz pense que tem livre arbítrio para escolher, em realidade existe uma força que ele não vê que está decidindo por ele! E então, onde fica o livre arbítrio? Nichols explica que, neste caso, o protagonista da historia não está completamente formado ainda. Ele ainda está marcado pelas forças arquetípicas que o trouxeram até aqui, desde o Mago até o Sumo Sacerdote, lembram? Eros, na carta, pertence a esse tipo de forças arquetípicas, e o nosso herói tem pouco que fazer contra ele... mas pode fazer algo? A resposta é sim, pode. Pode tentar fazer a melhor escolha, a mais ponderada. Deve usar todo seu conhecimento, todo seu raciocínio positivo, pois mesmo fazendo isto, ele estará sendo influenciado por Eros.
Bem, e na vida real, quando nos enfrentamos a esta situação?
Lembrem que acabamos de sair da Primeira Transformação. A esta altura nossos sonhos transformaram-se em realidade. Mesmo com a influência do Sumo Sacerdote, geralmente nos sentimos os reis do mundo, e com razão: conseguimos dar vida ao nosso sonho! Ele é realidade! A nossa empresa, livro, carreira, a nossa Lenda Pessoal, está funcionando! O que pode sair mal?
É nesses momentos em que aparece uma escolha. Uma simples escolha. Continuo casado ou separo? O meu matrimonio está muito desgastado... ou é nesse momento em que minha micro empresa está começando a dar certo que aparece aquele emprego pelo que lutei tanto tempo, com um salário GIGANTE... devo largar tudo e aceitar esse emprego? Vivi vários casos de pessoas que tinham dado duro para construir uma carreira de profissional liberal e foram chamadas por grandes multinacionais. E ai que vemos a influência de Eros: a paixão foi total! De nada serviu argumentar que as empresas delas estavam dando certo: aquele trabalho na multinacional era o antigo sonho feito realidade! Fecharam as empresas e marcharam para as multinacionais. Parecia que a decisão era delas, mas não era assim: em realidade responderam a um imperativo social que diz que trabalhar em uma grande empresa dá status. O mais interessante nesses casos era ver que, mesmo quando a pessoa acreditava que estava tomando a decisão sozinha, em realidade estava cumprindo com o que a sociedade e a família esperavam dela. Ou seja, não existia nesses casos o livre arbítrio.
Tudo bem, então, como podemos saber se estamos tomando uma decisão nossa ou se estamos obedecendo a um imperativo familiar ou social? Neste caso, a honestidade conosco é fundamental. Como já vivi esta carta diversas vezes, terminei descobrindo uma diferença enorme entre dois comportamentos aparentemente iguais. Você vai tomar uma decisão: você avalia todos os elementos friamente e então toma a decisão ou você já está decidido e busca elementos que justifiquem sua decisão? A diferença é fundamental! Como exemplo: eu lembro que anos atrás estava buscando uma agência de marketing para fazer a promoção da minha empresa. Naquele momento fiquei maravilhado com uma das agências e decidi que era ela que eu ia contratar. De forma inconsciente, eu já tinha tomado a decisão. Mostrei todos os pontos positivos para minha sócia, todas as justificativas para contratar essa empresa. Quase a convenci. Minha sorte foi que minha sócia é fria na hora de fazer contratações (e me conhece bem, no final das contas, é minha namorada). Esperou e começou a fazer perguntas. Ao ter que responder as perguntas dela terminei descobrindo minha falha: eu tinha tomado a decisão não avaliando tudo calmamente, mas num momento de euforia. Retrocedi, deixei a decisão na mão dela e terminamos contratando outra pessoa, que não era tão expansiva nem impressionante, mas que terminou fazendo um trabalho excelente.
Então, para finalizar, quando se encontrar na situação do Enamorado: pense calmamente, não tome decisões rápidas (por mais que seja pressionado) e busque o conselho dos amigos. Se você fez tudo isso e tomou a decisão certa, vai poder se transformar no dono da sua vida. A próxima carta vai tratar disso. Se prepare para ser o Herói!

Imagens: de esquerda à direita
O Enamorado (Tarot de Marselha)
Os Enamorados (Tarot Rider-Waite)

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Arcano VII - O Carro

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O Herói chegou!
Chegou a hora de conhecer nosso herói. Até aqui as cartas sempre nos mostraram figuras arquetípicas, mais do que humanas. Desde o Mago até o Sumo Sacerdote, os personagens não são simples mortais. Mas agora nos deparamos com o Carro, dirigido por um jovem rei. Ele ostenta a coroa que indica que é o Rei, está montado num carro que pode levá-lo onde ele quiser e usa um cetro de ouro para indicar seu mando. O carro em si é interessante: ele tem um teto suspenso entre 4 colunas, que indica proteção, as rodas (no Tarot de Marselha) estão em uma posição estranha e os cavalos têm cores diferentes, apontam em direções diferentes e não têm rédeas. Então, como é que o herói os controla?
A explicação mais simples é que ele não precisa rédeas para controlá-los, pois a vontade dele é tão forte que os cavalos obedecem sem discussão. Isso é interessante, pois os cavalos de cores diferentes parecem marcar as duas forças internas do nosso herói. Essas forças são conflitivas, mas ele as mantêm sob controle, através da sua poderosa vontade. E essa vontade lhe permite usar as forças antagônicas como motor para seu deslocamento. Incrível, não é? Os opostos nele, sob sua vontade, servem de motor para seu progresso! Mas como foi que ele desenvolveu essa vontade? Essa parte explicarei durante a Segunda Transformação.
Em outros tarots, como o Tarot do Labirinto, existem rédeas, mas temos pégasos (cavalos alados) em vez de cavalos comuns e o senso de trunfo e conquista que a carta transmite é muito maior (basta comparar as ilustrações).
Que significa essa carta? Geralmente é tomada como um indicador de sucesso, significa atingir as metas com luta, mas também com a certeza do trunfo. Indica movimento para frente e conquista dos objetivos. Uma carta positiva, com a única ressalva de que implica que esse trunfo não estará livre de lutas. Mas uma vitória sem lutas é bastante chata, não é? O Carro está aqui para nos dizer que, depois da batalha, o sucesso está nos esperando.
Então... vamos à luta?

Imágens: de esquerda à direita
O Carro (Tarot de Marselha)
O Carro (Tarot do Labirinto)

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Segunda Transformação

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Segunda Transformação
(Independência e Determinação)
Bem, depois de um breve, mas agitado caminho, chegamos à segunda transformação. Vocês podem se perguntar: por que só duas cartas nesta transformação, enquanto tínhamos seis na anterior? Bem, porque neste caso lidar com estas duas cartas vai nos dar mais trabalho do que lidar com as seis anteriores.

Quando chegamos neste ponto já ultrapassamos o que a sociedade considera como sucesso. Já temos o “sucesso social”. Crescemos e entramos no mundo adulto com a ideia que ter sucesso nos nossos empreendimentos (sejam bons empregos ou trabalhos por conta própria) é a meta final. Como muito, junto com o sucesso no trabalho, temos que conseguir manter nossa família feliz. É só isso? Basta com isso? A prática mostra que não. Temos muitas pessoas infelizes que são muito bem sucedidas na parte material (todos nós conhecemos alguém assim)... e também o caso oposto (pessoas que têm famílias felizes, mas sofrem no mundo do trabalho). Como fazemos para equilibrar as duas coisas? (essa pergunta foi feita para mim umas duas semanas atrás por uma amiga, que tem muito sucesso no trabalho, mas a família...). Bem, o processo é longo, mas podemos começar com esta transformação. Nela vamos aprender a fazer escolhas e tomar o controle da nossa vida.

Comecemos pela carta do Enamorado. Ele tinha que tomar uma decisão entre duas mulheres. Na nossa vida diária, pode ser entre duas mulheres, dois trabalhos, duas possibilidades de algo, de algo que queremos ou de algo que temos, frente a que? Geralmente é frente a algo que fomos ensinados que é a escolha correta! Como assim? A escolha costuma ser entre algo que desejamos ou temos e algo que nossa sociedade diz que é a escolha certa. Querem exemplos? Escolher entre o negócio próprio (por vezes não tão fácil nem tão lucrativo) e um emprego numa grande multinacional. Tinha um amigo que queria vender a empresa dele (bastante grande, por sinal) e prestar concurso para auditor da Receita Federal. Nada contra, mas você já tentou se adaptar a um cargo burocrático depois de ser dono da sua própria empresa e controlar mais de 40 funcionários? Uma vida de desafios contra uma vida certa e regrada... não preciso ser mago para dizer que em 90% das vezes não da certo. Ou um clichê comum: o retorno do ex-marido (ou ex-namorado, ex-mulher, volta ao antigo emprego, etc.). Revisando os casos conhecidos podemos comprovar que poucas vezes isto dá certo. A maioria dos casos termina numa segunda separação, mais brigas, mais sofrimento. Mas o clichê é tão forte que num caso desses muitas pessoas sentem uma enorme pressão para “dar uma segunda chance”. Por que você vai se separar? –pergunta a família-. Não está bom assim? Não reclama, tem coisa pior por ai... Ou também podemos ouvir: “Você vai deixar esse emprego ótimo? Não sabe como está difícil o mercado de trabalho? E você vai desperdiçar uma boquinha dessas? Crie juízo, cresça!” Mas o emprego está acabando com nossa paciência e nossa saúde...
Por que não o caso contrário? Algumas vezes a separação foi empurrada por fatores externos (família que não gosta do genro ou nora, diferenças religiosas, etc.). Por mais que as pessoas tentam, as pessoas em volta infernizam o tempo inteiro e eles terminam se separando. Esse é o caso inverso. Assim que os amantes tentam se encontrar, as famílias se mobilizam para impedir. Nesse caso para conseguir tomar a decisão correta fica difícil...
Esses casos são só ilustrativos. Todos os dias vemos pessoas tendo que tomar decisões e sofrendo um monte de pressões no processo? E ai???
Qual seria a condição ideal para tomar uma decisão? Tempo suficiente, ambiente tranquilo, amigos fieis e bons conselheiros. Paz interior. Nada disso está presente na nossa sociedade. Geralmente você vai tomar a decisão empurrado por um monte de fatores e pessoas gritando a sua volta! A sua família opinando, seus amigos opinando, seu chefe opinando... o cachorro latindo! Os clientes gritando, o gerente do banco te avisando que você estourou o cheque especial... Todos eles, o mundo inteiro, parece estar gritando a sua volta e te empurrando numa certa direção. Agora você reconhece o anjo com o arco e a flecha nas costas do enamorado, empurrando a decisão dele? Fica difícil decidir com tanto barulho em volta, mas essas são as condições com as que você vai ter que trabalhar. Mas você não está lendo isto para ouvir que não tem saída, certo? E eu não vou dizer isso. Vou te mostrar o caminho das pedras...:)
Vamos ver o que você pode fazer nestes momentos. Antes de mais nada, entenda que você precisa um tempo para se tranqüilizar. Pense em passar um final de semana sozinho em algum lugar. Mas se isso não for possível, tente se apoiar em algum amigo ou familiar que seja mais tranquilo. Se não souber o que decidir, não decida nada no momento (e não dê explicações. Descobri que essa é uma excelente alternativa quando você é pressionado para tomar uma decisão. Como gosto de ter tempo, se sou pressionado fico olhando para a pessoa e não falo nada. Ai as coisas começam a se acalmar).
E em todos os casos entenda que, finalmente, você vai tomar uma decisão que vai ferir alguém. Vai ter de ser forte e entender que algumas pessoas vão ficar desapontadas pela sua decisão. Parece fácil de dizer... saiba que sei exatamente como se sente, já passei por esse momento diversas vezes e sempre é difícil. Mas você quer ser o herói da sua história, não quer? Ser o herói não é fácil.
Bem, a decisão tinha de ser tomada, e você já decidiu. Como saber se tomou a decisão correta? Ai a coisa fica fácil: se você tomou a decisão equivocada, vai sentir um período de tranquilidade, de paz. Parece que tudo voltou ao seu lugar e você agradou as pessoas em volta. Mas no seu íntimo você sabe que não é assim. As velhas brigas vão voltar depois de algumas semanas, as mesmas frustrações, os amigos vão se afastar devagar... o mundo vai ficar sem cores. Você pode perceber isto e corrigir a sua decisão ou pode ficar nesse mundo sem cores, a escolha é sua e é respeitada (conheço vários que ficaram assim, envelhecidos antes do tempo, mas sem forças para mudar de novo).
Agora bem, se você tomou a decisão correta, depois de ouvir os gritos da sua família, do seu chefe, etc., as coisas vão começar a melhorar, primeiro devagar e depois cada vez mais rápido.

Você vai se sentir energizado e vai sentir uma nova força surgindo no seu peito: você é o Herói! Você produziu a mágica da Mudança! Suba então no seu carro e vá para frente! Agora você sabe que pode fazer a diferença, mesmo que seja uma pequena diferença. Lembre-se do que falam os mestres em Neurolinguística: o sucesso se mede em centímetros. Uma pequena diferença agora vai fazer uma enorme diferença daqui a algum tempo! Você vai descobrir que conduzir o carro do Herói não é fácil, vai ter que equilibrar vida pessoal e profissional, mas como você soube controlar as circunstâncias adversas anteriores, vai poder fazer isso agora! Você já aprendeu a falar NÃO! Agora você pode falar SIM sem medo! Ao conduzir sua vida vai sentir as forças puxando de você em diferentes direções, mas vai poder controlá-las e dirigi-las na direção correta usando sua vontade (lembra que eu disse que ia explicar como o Herói controlava os cavalos com a sua vontade? Você desenvolveu a sua vontade ao vencer o desafio da carta do Enamorado!).

Só palavras? Longe disso. Faço isto frequentemente e ensino meus alunos a desenvolver essas capacidades também. O segredo do sucesso está em sermos senhores das nossas decisões. Lembre-se: ser o Herói é tarefa diária. Todos os dias vão existir decisões e você vai ter que estar à altura. Mas não era isso o que você queria?
Bem, se você conseguiu passar pela Ordalia da tomada de decisão e soube tomar as rédeas do carro, você tem fibra para Mago! Acompanhe-me, vamos entrar no campo da Terceira Transformação. Ela foge às experiências comuns, mas você já deixou de ser uma pessoa comum, você já é o Herói da sua Lenda Pessoal!


Canal Magia da Transformação