Curso de Tarô Online

Posted by Jorge Puente



Caso você esteja interesad@ em conhecer mais sobre o mundo do Tarô, aqui tem uma descrição dos Arcanos Maiores. Os textos são parte do material que uso nos meus cursos e pode ajudar você a compreender melhor o Tarô.

Os Arcanos Maiores são 22 cartas que representam energias que dirigem o nosso mundo e as nossas vidas. Eles são o núcleo do Tarô. Essas energias arquetípicas estão presentes no nosso cotidiano, em maior ou menor grau. Elas formam nossa Realidade (se você quer saber mais sobre o Tarô, assista o vídeo sobre o tema clicando aqui). 

Claro que se você quer saber o que está criando sua realidade atual e para onde sua vida está indo, precisa conhecer quais energias estão presentes. Por isso é importante conhecer o significado dos Arcanos Maiores, porque ele formam o nosso mundo. As energias deles materializam-se na nossa realidade através de comportamentos e situações, os quais são descritos pelos Arcanos Menores, mas esse é outro tema do qual vamos falar um pouco mais para frente.


Em realidade existem mais do que 22 Arcanos Maiores, mas esses Arcanos ocultos não são conhecidos ainda. Eles descrevem energias e situações que não existem nas nossas sociedades atuais. Serão canalizados no futuro, com certeza, quando essas energias e situações passem a existir na sociedade e na vida das pessoas. 



Por ser o Tarô um sistema criado em tempos onde o patriarcado não existia, a interpretação de alguns Arcanos muitas vezes fica confusa na época atual. Essa confusão é resolvida ao aplicar as energias e conceitos do Sagrado Feminino, pois ai o significado da carta fica muito claro (um exemplo disso é o Arcano 11, A Força. Você tem que entender como funciona o Poder Feminino para interpretá-la corretamente).





Embaixo temos uma lista dos 22 Arcanos Maiores clássicos. Algumas cartas são descritas através de contos (versão moderna), e outras têm explicações mais tradicionais (versão antiga). Os contos dão uma aproximação mais intensa ao Arcano. Depois de ler o conto, tente colocar-se no lugar do protagonista. O que é que você sente? Que ideias vêm à sua cabeça? Como é ser o protagonista dessa história? Deixe que a carta "fale" com você. Essa é uma das melhores formas de aprender o significado dos Arcanos Maiores.

E se depois de conhecer os Arcanos Maiores você quer aprender mais sobre o Tarô, entre em contato comigo.

Um abraço

Jorge Puente

Os Arcanos Maiores

Arcano 0 - O Louco (nova versão)
Arcano 1 - A Sacerdotisa (nova versão)
Arcano 2 - O Mago (nova versão)
Arcano 3 - A Imperatriz (nova versão)
Arcano 4 - O Imperador (nova versão)
Arcano 5 - O Sumo Sacerdote
Arcano 6 - O Enamorado (às vezes chamado Os Amantes)
Arcano 7 - O Carro
Arcano 8 - A Justiça
Arcano 9 - O Eremita
Arcano 10 - A Roda da Vida (nova versão)
Arcano 11 - A Força 
Arcano 12 - O Enforcado (nova versão)
Arcano 13 - A Morte (nova versão)
Arcano 14 - A Temperança
Arcano 15 - O Diabo (nova versão)
Arcano 16 - A Torre (nova versão)
Arcano 17 - A Estrela (nova versão)
Arcano 18 - A Lua (nova versão)
Arcano 19 - O Sol (nova versão)
Arcano 20 - O Julgamento (nova versão)
Arcano 21 - O Mundo (nova versão)


P.S.: Em muitos baralhos os Arcanos 8 e 11 têm as posições trocadas. 


Arcano XX - O Julgamento

Posted by Jorge Puente Marcadores:

“É a religião que ordenou ao homem que se inclinasse ante Deus, quando noutro tempo o homem elevou-se alegremente na minha direção.”  (Deus, em Conversando com Deus, de Neale Donald Walsh).

Os céus se abriram com um trovão e um raio fulgurante...

E eu cheguei. Através de uma luz tão forte que deixaria cego qualquer mortal, cheguei à terra. Montada na minha poderosa cavalgadura, projeto uma imagem impressionante.
Vocês me conhecem. Por diferentes nomes, mas todo mundo já ouviu falar de mim. Alguns me chamam Ogum, outros São Jorge, o Anjo do Juízo Final, a Espada de Deus... tenho muitos nomes. Talvez você esteja mais familiarizado com um dos mais antigos: Miguel. Sou Miguel, Arcanjo, a Espada de Deus, aquele que mantém você longe do Paraíso... ou aquele que pode devolver você ao Paraíso... quem sabe?
Mas eu prefiro que você me chame por um nome ainda mais preciso: Mikaela. Tal como Kryon disse mais de uma vez, minha energia é mais feminina do que masculina. Estou com você quando parte no vento do nascimento, estou com você quando volta da Aventura da Vida. Sou eu, bela e poderosa, que carrega a energia de Deus, uma energia que você pode usar a qualquer momento. Basta desejar, basta me chamar, e minha espada será sua... se souber como usá-la. Mas é para isso que estou aqui hoje, porque parece que você já aprendeu a usar a Espada de Deus.
Mas vamos ver quem mais vai participar deste ritual. Minha cavalgadura, claro. Você já a conhece, pois encontrou com ela um tempo atrás. Sim, não está enganado: é um dragão... ou uma serpente, segundo como você olhe para ele. Pode reconhecê-lo?  Sim, é ele: Lúcifer, Senhor da Materialidade. É ele, o poderoso Princípio Masculino que me leva de estrela em estrela, de mundo em mundo, que me permite subir aos Céus ou descer à Terra num instante. Agora, aqui, do meu lado, você não tem porque ter medo dele...
Vejo que sua companheira do lago está também aqui. Como ela está diferente agora, tão diferente do dia em que a viu depois de acordar, na saída do labirinto da mente. Recuperou o corpo de mulher adulta e sua aparência é quase igual à que tinha quando se conheceram à beira de outro lago, sob a luz de oito estrelas. Mas agora usa o cabelo curto e tem um toque luxurioso que não existia naquela época. Que ironia que o crescimento espiritual nos deixe muito mais sensuais. Exatamente ao contrário do que foi ensinado sempre...
Finalmente chegou a hora. Você já caiu nas armadilhas do meu irmão, aqui ao meu lado, e viveu na fantasia muito tempo. Já foi arrancado dela pelo poder do Raio de Deus. Resgatei você aos pés do que restava da sua torre e o ajudei a chegar até o lago. Dali você chegou até as torres e passou entre os guardiões do Inconsciente guiado pelo amor da nossa Mãe. Brincou neste jardim durante bastante tempo e agora chegou a hora de dar o próximo passo.
Quando cheguei, vocês se alçaram cheios de alegria, levantando os braços enquanto eu descia dos céus montando o meu dragão e fazendo soar a trombeta. Vim dividir a minha alegria com vocês.
Você já cresceu o suficiente. Já é adulto. Então hoje vou entregar para você uma parte do Poder do Pai, ou do Poder da Mãe, como preferir.
Veja, irmão mais novo, aqui estamos eu e minha cavalgadura. Ambos servimos ao nosso Deus. Temos poderes iguais, mas habilidades diferentes. Juntos, somos invencíveis, isso é algo que você deve ter sempre presente. Se você conseguir fazer o mesmo, também será invencível. Mas antes de conseguir isso, tenho um oferecimento para você. Escolha agora: posso devolver você ao Paraíso. Ou meu irmão pode te levar para o mundo da matéria, só que desta vez você estará consciente e terá controle sobre ele. Use a direita ou use a esquerda, estamos te dando o poder para isso! Decida agora!
*   *   *
As pessoas rapidamente se juntaram a Lúcifer ou a Mikaela. Muitos sumiram. Poucos ficaram. O caminhante estava entre eles. Ficou olhando àquele par de anjos impressionantes. Na sua mente uma idéia ia tomando forma, mas faltava algo para que ficasse definida. Então Mikaela olhou para ele.
“Decida, irmão mais novo” disse com voz firme.  Ele saiu do lago e encaminhou-se na direção dela.
“Que significam essas opções, irmã mais velha?” quis saber. Ela sorriu levemente.
“Venha comigo e se transforme num mestre espiritual... ou vá com Lúcifer e se torne um mestre da matéria. Você decide...”
Ele balançou a cabeça, pensativo. Finalmente falou.
“Posso escolher o que eu quiser?”
“Claro” respondeu ela. Então algo explodiu na cabeça do caminhante e de repente entendeu...
“Então escolho cavalgar com vocês” disse ele, com calma. Mikaela sorriu.
“Um pé na terra e outro nas estrelas. Uma escolha sábia... e difícil...”
“Mas é para isso que estamos aqui, não é?” disse ele. “Para unir o que estava dividido...”
“E se tornar um com Deus... Você terá poder nos dois reinos a partir de agora... e vai ter que aprender a usá-lo sabiamente, ou esse poder vai destruí-lo...”
Ele assentiu com a cabeça. Tinha entendido perfeitamente. Então Mikaela pulou sobre o dragão e estendeu a mão para o caminhante. Ele pegou na mão dela e, num instante, estava sobre o dragão também. Inconscientemente pegou nas  rédeas. Quase que imediatamente, sentiu as mãos dela sobre as suas. Sutil, quase imperceptível, mas estavam lá. De algum jeito sabia que ela não permitiria que ele cometesse erros ao guiar aquela magnífica cavalgadura. O dragão virou o pescoço e olhou para ele.
“Olá Adão, quanto tempo...” disse com voz profunda. Piscou um dos enormes olhos para ele e voltou a olhar para frente. Então Mikaela olhou para a moça à beira do lago.
“E você, Filha da Lua, quer vir com a gente?”
A garota sorriu.
“Acho que não, irmã mais velha. Vou ficar um pouco por aqui, descansando...”.
O caminhante sentiu-se arrasado. Iam se separar novamente... Ela pareceu ler o pensamento dele, pois olhou nos olhos do caminhante firmemente e disse:
“Curta seu primeiro passo como anjo humano. Esse é um momento único. É só seu. Eu já passei por ele. E na hora que você quiser, basta me chamar e eu me projetarei ai onde você estiver...”
“E se eu errar e for parar no inferno?” disse ele, preocupado.
“Onde foi que a gente se conheceu?” perguntou ela, com um sorriso. Ele caiu na gargalhada. Entendeu. Este era seu momento, dele e de ninguém mais. E se conseguisse controlar aquele enorme poder, poderia relaxar calmamente nos braços dela.
“Assim que chegar, ligo para você...” disse, puxando das rédeas. O dragão incorporou-se.
“E eu irei ao teu encontro...” gritou ela. E jogou um beijo para ele.
O enorme dragão elevou-se no ar com graça e elegância. O caminhante sentia o enorme poder dele... e dela.
“Fala onde você quer ir, irmão mais novo...” ouviu a voz suave de Micaela. Um anjo humano... era isso no que tinha se transformado?
Sorrindo, centrou seu pensamento e seu coração.
“AGORA”
À sua frente, enquanto o dragão se elevava no ar, o Universo explodiu num gigantesco caleidoscópio de possibilidades...


Como funciona a carta do Julgamento? Depende. Se você chegou até ela, poderá usar essa energia. Se você vai escolher a direita, a esquerda ou o centro dependerá de como você chegou até aqui e quais suas expectativas. Mas esteja certo de uma coisa: qualquer que seja sua decisão, terá a energia de um dos dois: ou de Miguel ou de Lúcifer. Então tenha cuidado ao decidir, porque eles entrarão na sua vida com força total. Ou será que, talvez, você poderia ter a energia dos dois...?

Imagens:
1) O Julgamento - Tarô Iniciatório da Golden Dawn
2) O Julgamento - Tarô do Portal Mágico



Para ir ao próximo Arcano, O Mundo, clique aqui.




Arcano XIX - O Sol

Posted by Jorge Puente Marcadores:

Acordou. O sol estava alto no céu. Sentia-se descansado e renovado. Lembrou da passagem pelas trevas, os cães, as torres... e a voz doce e encantadora que o tinha guiado através da noite. Era mesmo da Deusa? Ou teria sido a sua própria mente falando? Bem, isso importava agora? O importante era que, finalmente, tinha conseguido sair daquela noite eterna e o sol brilhava no céu.
Mas onde estava a moça do lago? Ela tinha dito que o esperaria do outro lado da noite...
“Oi...” sentiu uma voz de criança. Olhou em volta e descobriu uma menininha sentada perto dele. Tinha o cabelo loiro e curto e não usava roupa. Detrás dela estendia-se um campo cheio de flores.
“Você demorou a chegar” disse a menina. O caminhante estava confuso.
“Oi” respondeu devagar “Onde estou?”
“Fora do labirinto da sua mente” respondeu ela com seriedade. Apontou com um dedo para trás do caminhante. Este se virou e viu uma parede com uma entrada. Resultava bastante obvio que era um labirinto. A entrada estava decorada com um crânio de boi e uma asas de pássaro.
“O que é isso ai?” perguntou, desnorteado.
“O labirinto da falsidade e da morte” respondeu ela com calma. “Você saiu e desmaiou. Estou aguardando um tempão para você acordar...”
Resultava cômico vê-la sentada no meio das flores, tão criança e falando como uma adulta.
“Uma moça me disse que ia me esperar na saída...” comentou o caminhante.
“E aqui estou” respondeu ela. Ele começou a rir.
“Ela era uma moça adulta. Você é uma criança” disse ele, divertido.
“Você também” respondeu ela, bem séria.
Por primeira vez, ele olhou para seu corpo. Era verdade! Era uma criança de novo!
“Meu Deus!” exclamou. Olhou para suas mãos. Eram as mão de um menino de não mais de seis ou sete anos. “Sou criança de novo... e sou negro!”
“A-há...” ela olhou para ele seriamente “exatamente”.
“Mas que aconteceu?” ele estava sinceramente desconcertado.
“Você atravessou a noite da alma, com a ajuda da nossa Mãe, e renasceu sob o calor do nosso Pai. Nunca estudou Alquimia? Nigredo, a negritude, é a primeira fase da transformação. Você está mostrando isso agora...”
Resultava um pouco cômico e desconcertante ver aquela criança pequena falando de Alquimia e de mistérios da alma.
“Quem é você?” quis saber o caminhante. Ela sorriu por primeira vez.
“Não me reconhece? Você ficou comigo um tempo à beira do lago, embaixo de oito estrelas... Eu prometi que te esperaria do outro lado das torres. Por um momento pensei que você não ia conseguir sair”.
“Mas você era adulta então... o que aconteceu?”
Ela suspirou, balançando a cabeça. Parecia estar dizendo “Leeerdoooo”.
“Quer uma explicação completa, tintim por tintim?” perguntou suavemente.
“Por favor” respondeu ele, se sentindo um bobo.
“Tudo bem. Vamos lá: você estava vivendo uma fantasia dentro do seu labirinto...”
“Qual labirinto?” interrompeu ele, desconcertado.
“Esse que está atrás de você”
“Mas por que estava lá dentro?”
“Meu Deus, você parece criança com todas essas perguntas!” disse ela, irritada. “Você estava nesse labirinto pelo mesmo motivo que todas as pessoas: para fugir da realidade. Em um labirinto desses, você pode se esconder do seu Eu superior e das suas personalidades durante décadas. Só que ao mesmo tempo em que você se esconde delas, também não consegue chegar a lugar nenhum. Vive com medo, se escondendo sempre, desconfiando de tudo e de todos, até da sua sombra. Muitas pessoas morrem em sofrimento, sem nunca conseguir sair do labirinto da noite. Muitas delas constroem torres de ilusão, tal como você fez. Isso é bom, porque então você fica num ponto fixo e tem chance de ser resgatado...”
“Pela destruição da torre!” disse ele, indignado.
“Você conhece algum outro método?” perguntou a menina. “Você achava que aquilo era uma ilusão?”
“Não... achava que era a pura realidade...” confessou ele, baixando os olhos.
“A maioria das pessoas acham que a ilusão na que vivem é a realidade, por isso são tão fáceis de manipular. E a maioria nunca consegue sair do labirinto da mente... Bem, vamos continuar: a sua torre foi destruída, seu irmão o guiou durante o tempo necessário até chegar ao caminho certo. Seguindo o caminho você me achou à beira do lago, ficou um tempo comigo e depois voltou à estrada, rumo à saída. Finalmente chegou até as torres guardadas pelas forças do seu inconsciente. Essa era a prova que só poderia resolver confiando na força do amor da Mãe. Parece que você conseguiu e aqui estamos... É isso, em resumo”.
Ficaram em silêncio durante um tempo, depois da explicação. Finalmente, ele falou.
“Mas por que tenho corpo de criança? E por que mudou a cor da pele?”
“O corpo de criança indica que, nesta nova fase da sua vida, você é novamente uma criança. Entenda que você também era uma criança antes, mesmo usando um corpo de adulto, caso contrário nunca teria sido iludido pelo Diabo nem teria construído aquela Torre. Você nem conseguia reconhecer seu irmão! Mas nesta realidade, livre dos medos, você pode brincar a vontade. Não se preocupe, seu corpo vai crescer rapidamente...”
“E a minha pele...?”
“O preto é a cor do Nigredo, a primeira fase da transformação alquímica. A cor da sua pele indica seu novo grau de sabedoria. Você passou pelo inferno da noite e agora renasceu na luz, mais sábio.”
“Mas você é branca!” disse ele, estranhado. Ela riu.
“Eu já passei várias vezes pelo inferno. Agora meu corpo toma a aparência que eu quiser... escolhi aparecer como criança para poder brincar com você. Se você quiser, podemos crescer juntos, seria bem divertido!”
 “Mas... não existe o risco de eu  voltar para o inferno da Noite?” perguntou ele, preocupado. Ela negou com a cabeça.
“Não, essa fase acabou. Você pode voltar um dia, se achar que tem coisas para aprender na Noite, ou se quiser servir de guia a outros que estão perdidos...”
“Tal como você fez”
“Sim. Mas será uma decisão consciente sua. Vai poder entrar e sair quando você quiser. Terá controle da situação e, portanto, não estará no Inferno da Noite, mas na Doce Noite da nossa Mãe, onde as plantas se regeneram e o mundo se prepara para um novo dia...”
Ele deixou-se cair na grama novamente. Então tinha conseguido! Estava fora da noite eterna e o Sol banhava seu corpo e sua mente. De repente, foi assaltado por outra preocupação. Sentou-se e olhou para ela.
“O que se supõe que vamos fazer agora?” quis saber. Ela voltou sorrir.
“O que é que as crianças fazem normalmente?”
“Brincam...?” disse ele, em dúvida. Ela riu.
“Exato! É isso que vamos fazer, justo agora!”
Ela levantou-se, foi até ele e o ajudou a se incorporar. Parada junto a uma poça d’água parecia uma versão mirim da moça do lago.
“Vamos!” gritou, e puxou dele com força, começando a correr. Ele mal conseguia segui-la, com aquele corpo de criança, mas a mão dela era firme e transmitia segurança. Segurou na mãozinha dela e se deixou levar. Tal como antes, era uma guia excelente!
Afastaram-se do labirinto, correndo entre as flores, embaixo do Sol...



Mil interpretações foram dadas para a carta do Sol. Uma delas, a mais antiga e a mais moderna, vê o Sol como o novo e antiguíssimo Divino Masculino. Não o princípio patriarcal atual, representado pelo Imperador, mas Princípio Masculino original, alegre, brincalhão e sempre com vontade de conhecer coisas novas. O companheiro de jogos natural para o Princípio Feminino. Você pode aprender mais sobre ele neste link: http://www.jeshua.net/por/healing/healing5por.htm.
É verdade que quando alcançamos um determinado grau de desenvolvimento espiritual voltamos a ser crianças? Por que voltar a ser criança? Porque só através da alegria e das brincadeiras somos capazes de atingir o conhecimento verdadeiro, fugindo assim do mundo das ilusões e da noite. Pois a criança representa a pureza e a melhor parte de nós. Ela é verdadeira, reconhece e exige a verdade daqueles que a rodeiam. Jesus foi claro quando disse “Deixai que venham a mim as crianças”. Porque só com o coração puro de uma criança somos capazes de entrar no Amor de Deus.
Quando o Sol aparecer para você numa tiragem de Tarô, entenda que chegou o momento de você se divertir. Curta o sucesso do que esteja fazendo, mas entenda que chegou a hora de assumir sua criança interior de forma adulta. Só através da pureza dela seu sucesso vai se transformar no que realmente é: uma brincadeira bem feita. E então você estará pronto para se aproximar de Deus com o coração puro... que é o que vamos ver na próxima carta
Até lá!

P.S.: para quem quiser aprender mais sobre o tema, recomendo o livro “O jardim das Delícias” de Ian Watson (The garden of Delights). Infelizmente, acho que não tem tradução para o português, mas vcs podem achá-lo em espanhol e inglês. Um livro excelente que desenvolve sua história sobre o famoso quadro homônimo do pintor Hyeronnimus Bosch.


Imagens
1) O Sol - Tarô Iniciatório da Golden Dawn. A história foi construída a partir desta carta.
2) O Sol - Tarô do Labirinto. Nesta carta as partes masculina e feminina já são adultas.
3) O Sol - Tarô de Waite. Nesta carta o princípio masculino está representado pela força do cavalo branco (cor que indica sua pureza) que é guiado sem rédeas por uma menina.


Para ir ao próximo Arcano, O Julgamento, clique aqui



Arcano XVIII – A Lua

Posted by Jorge Puente Marcadores:

Caminhei e caminhei acompanhando a beira do lago. A paisagem foi se transformando, ou talvez eu fui me transformando. A beleza da paisagem foi sumindo e apareceu um lugar sombrio, só iluminado pela luz da Lua. À minha direita continuava a beira daquele lago sem fim, mas a minha esquerda começaram a se erguer áridas montanhas. Finalmente o meu caminho ficou obstruído: um morro estendia-se até o mar, cortando a praia. Ia ter que rodeá-lo por terra. Ai começou o problema.
Não bastando a escuridão, que produzia uma falta de orientação terrível, agora havia outras complicações: o único caminho era escuro, nas sombras, obstruído por mato. Estendia-se entre dois morros baixos e tinha uma torre a cada lado. “Mais torres” pensei. “Será que outros seres estão presos nas suas ilusões dentro delas?”
Mas isso não era o pior: entre o caminho e eu estavam um cão e um lobo. Até o momento não tinham olhado na minha direção, mas tinha certeza que, se eu tentasse avançar, eles que iam avançar em mim! O caminho estava bloqueado!
Sem esperanças, sentei-me à beira do lago. Que longe parecia a moça com a coroa de estrelas! Nunca ia alcançar o outro lado e, portanto, nunca a veria novamente...
Fiquei um tempo assim, abatido, só olhando. O lobo e o cão continuavam dando voltas e uivando de vez em quando. Olhavam para mim com desinteresse. Uma lagosta surgiu do lago e começou a se arrastar em direção ao caminho entre as torres. “Coitada” pensei “já, já vira jantar desses dois ai”.
A lagosta avançou devagar e aproximou-se do cão e do lobo. O cão começou a rosnar. O bichinho continuou seu percurso imutável. Parecia que nem estava vendo os dois inimigos. Passou no meio deles e perdeu-se nas sombras do caminho.
Continuei a olhar, maravilhado. Pouco depois vi um movimento na parte superior do caminho, entre as torres, e soube que era o bichinho. Tinha percorrido o caminho em um tempo incrivelmente curto! Pensei que podia fazer o mesmo e me aproximei dos guardiões. O cachorro rosnou e o lobo mostrou os dentes. Voltei para meu lugar rapidinho.
Fiquei lá, me perguntando se alguém dentro das torres poderia vir no meu auxílio.
“Não podem, não” – senti uma voz feminina. Olhei em volta, mas não tinha ninguém. Então...?
“Que é você?’ perguntei curioso.
“Sua Mãe”
De algum jeito sabia que ela não era minha mãe. Então, era quem?
“Sua Mãe Divina” ela disse, como lendo meu pensamento.
Fiquei confuso. As torres, o cão e o lobo, a lagosta... e agora...
“Como... por que você está falando comigo agora...?” quis saber.
“Por que agora e não antes?” disse ela com voz doce “Porque agora você me chamou...”
“Simples assim?” eu estava cético.
“Simples assim” disse ela “Os homens sempre chamam a mãe quando estão desesperados.”
“Nossas mães” respondi, já com saudades da minha, que tinha partido muito tempo atrás.
“Vocês chamam por mim. Elas são minha manifestação no Mundo. Tal como a donzela do lago é minha manifestação do Amor”.
“Onde você está?” não via ninguém. Ouvi um riso alegre.
“Justo enfrente a você!” ela parecia bem divertida. Olhei e não vi ninguém.
“Não estou vendo ninguém” disse confuso. Mais riso.
“O que você está vendo na sua frente?” perguntou ela.
“As torres... os cães... a Lua...”
“Bem, já achou” disse ela, e voltou a rir.
“A Lua? Você é a Lua?”
“Claro que não” respondeu a voz, ainda com tom divertido “A Lua é uma das minhas manifestações. Ordena seu mundo e o nutre.”
“Nutrir? É o Sol que dá vida ao meu mundo” discordei.
“O Sol da energia, mas só à noite as plantas e os animais incorporam essa energia e se aprontam para o dia seguinte. Os povos do deserto entendiam muito bem isto...”
“Agora eu também entendo. Mas você disse que eu a chamei porque estava desesperado...” eu não achava isso. Parado naquele lugar, sim. Mas desesperado?
“E não está? Consegue sair deste lugar?”
“Não” tive que reconhecer olhando para o cão e o lobo “Não consigo”
“Bem, então já chegamos a um ponto de acordo”
“Por que? Você pode me tirar daqui?”
“É claro! Na hora que você quiser. Basta pedir”
“Isso parece fala do Diabo” disse eu, desconfiado.
“Parece, não é?” respondeu ela com voz suave “À noite todos os gatos são pardos...”
“Então, como vou saber se você é a Deusa ou é o Diabo me iludindo?” quis saber.
“Ilusões, ilusões, ilusões...” disse ela com voz calma. “A moça do lago era uma ilusão?”
“Não, claro que não!” respondi com presteza.
“Como é que você sabe disso?” perguntou ela. “No final das contas, você está aqui por causa dela”.
Olhei a paisagem, os animais ameaçadores, a lua no céu hostil. Era verdade. Estava aqui pela moça do lago! Mas não podia ser! Aquela moça dizia a verdade! Ela não mentiria!
“Como é que você sabe disso?” ouvi sua voz. Fiquei arrepiado.
“Ela não me mentiria” disse eu.
“Como é que você sabe disso?” repetiu ela. Fiquei pensando. De repente, senti!
“Ela não me mentiria” repeti. “Jamais”.
“Você sentiu o Amor nela?”
“Sim” disse eu.
“Você consegue identificar isso em mim?” perguntou ela suavemente.
Entrei no meu coração e senti. Senti. Senti uma paz e uma tranquilidade que não sentia há muito tempo. Senti alegria. Senti calma e também um desejo de caminhar, de andar, de pular. Tudo junto. Deitei na grama úmida e relaxei, sorrindo.
“Oi Mãe” disse, fechando os olhos. Ouvi o riso dela.
“Olá meu querido. Você demorou em voltar...”
“A brincadeira estava divertida” respondi sem abrir os olhos. “Apanhei para caramba! Mas esteve ótimo...”
“Agora está na hora de fazer a tarefa de casa, não acha?”
“Mmmm... tem razão” disse, abrindo os olhos. “Por onde começamos?” quis saber.
“Onde você está?” perguntou ela.
“Nem idéia” respondi com sinceridade.
“Onde você está indo?”
“Também não sei” disse, incorporando-me. Parecia que tinha chegado a hora da seriedade. Basta de brincadeiras. Onde queria ir realmente?
“Quero sair da noite” disse eu, repentinamente. Era isso. Queria ir para algum lugar luminoso.
“Bem, já é algo” respondeu ela. “Sobre onde você está...?”
“Não faço idéia, Mãe. Você pode me ajudar nesse ponto?” sorri. Sentia como se tivesse sido pego fazendo arte, mas minha mãe não tivesse ficado brava, só divertida com a situação.
“Posso” disse ela. “Você está no reino da Lua, na sua mente. Nele, todas as direções são iguais e o seu conhecimento racional não serve. Até agora, para se orientar, você usou a luz do sol. A sua mente sempre lhe disse para onde ir e o que fazer, e você achou que isso era suficiente. Acostumou-se durante anos a usar só a mente e perdeu o contato com a sua intuição. Ela teria te avisado que a Torre era uma ilusão. Aliás, ela tentou te avisar, mas você não a ouviu”.
“Entendi” de repente, um pensamento terrível passou pela minha mente. “Mãe, estou morto?” perguntei, agoniado.
“O que te faz pensar isso?” ela parecia muito divertida com minha pergunta.
“Isto parece com certas descrições que ouvi de um lugar chamado Umbral...”
“Você está vivo, muito vivo. Aliás, você não pode morrer, pois é imortal, não sabe disso? Mas entendi sua pergunta e vou fazer minha resposta mais precisa: você ainda está encarnado. Não “morreu”. Simplesmente está preso no mundo noturno da Lua, com suas armadilhas e temores.
“Onde eu estou, realmente?” quis saber.
“Realmente, você está aqui” disse ela, suavemente, terrivelmente. “Entendeu? Seu corpo pode estar numa cama ou num sofá e você vai ‘acordar’ daqui a pouco, pensando que isto é um sonho. Mas esta é a realidade que vai se projetar na sua vida. Desde aqui você controla sua vida quando acha que está acordado...”
“E então, na minha vida, não consigo avançar...”
“Precisamente” disse ela. “Com todo seu conhecimento, que é enorme, você não consegue avançar. Seus medos deixam você atado a este lugar e esta escuridão se espalha na sua vida material e na vida das pessoas que o rodeiam...”
“E a saída?” quis saber.
“Detrás dessas torres, que simbolizam tanto a fantasia dos outros quanto a saída do útero materno.”
Era verdade. Aquela escuridão assustava, mas com a presença dela o aconchego era total e nem dava vontade de enfrentar os cães para sair dali. Comecei a entender o que sentia no útero da minha mãe.
“Posso ficar aqui?”
“O tempo que você quiser” disse ela com doçura. “Mas não seria uma boa mãe se não te avisar que...”
“...durante o tempo que estiver aqui, não vou crescer. Nada vai mudar”.
“Exato. Sua vida ficará nesta escuridão e falta de perspectivas por muito tempo...”
Fiquei pensando um pouco. De repente, algo brilhou na minha mente.
“A moça do lago... ela está do outro lado das torres?”
“Sim”
“Mas ela estava na escuridão também...” fiquei confuso.
“Engano seu” disse minha Mãe. “Ela estava na luz. Você estava na escuridão e só viu escuridão em volta dela”.
“Mas se ela está na luz, por que ela não pode iluminar?”
“Pode, mas não é a função dela. Este é seu momento, meu filho. Só você pode passar através dessas montanhas e das torres. Ela não pode fazer isso por você. Ela nunca tiraria essa oportunidade de você crescer e se iluminar pelos seus próprios méritos, de criar sua própria força”.
“E os animais ai?” pergunte, olhando em direção ao cão e o lobo.
“Os guardiões da saída. Despedaçarão qualquer ser temeroso que se aproxime deles...”
“Então nunca vou conseguir sair daqui!” exclamei, desanimado.
“Você ouviu o que eu disse?” perguntou ela com calma. “Qualquer ser temeroso. Você não viu a lagosta passar entre eles?”
“Vi. Que ser era esse? Era uma lagosta de verdade?”
“Claro que não, meu lindo” ela riu, genuinamente divertida “É uma representação da sua intuição. Ela não conhece o medo, pois ela está em contato comigo... Ela estava mostrando o caminho para você, só que você não pôde vê-lo, pois ainda estava no mundo da mente...”
“Então a saída não está na parte racional”
“Nunca está. A parte racional não tem contato comigo. Ela é ótima para avaliar situações, mas para tomar a decisão final você deve ouvir sua intuição... que é o mesmo que Me ouvir!”
“Radical!”
“Sempre sou radical... Quer sair daqui?”
Eu me incorporei e olhei para o caminho. Os dois animais levantaram as orelhas. O cão olhou na minha direção.
“O que é que eu devo fazer?”
“Você confia em mim? Você confia na sua Mãe?”
Procurei no fundo do meu coração e achei: uma sensação de alegria, de calma que era agitação ao mesmo tempo, uma vontade de fazer tudo e compartilhar isso com todos. Amor.
“Claro que sim, Mãe” disse eu, confiante por primeira vez em muito tempo.
“Então vai enfrente. Ignore os dois animais, nunca tocariam um dos meus Filhos...”
Avancei tranquilo. O lobo continuou dormindo. O cão me seguiu com o olhar, mas não se incorporou. Passei entre eles e enveredei pelo caminho escuro. Que subitamente parecia claro! Cada pedra, cada buraco, tudo era visível. Passei entre as torres escuras. Deu vontade de gritar, para chamar os que nelas estavam presos, encadeados às suas ilusões. Mas era o momento deles e eu não podia intervir. Para mim, naquele momento, não existia perigo, não existiam expectativas, não existia o medo, só aquele Amor imenso me enchendo de calma e alegria.
“A saída da noite é através do Amor?” perguntei.
“A saída da noite da sua alma. Mas uma vez que você deixa o Amor tomar conta da sua vida, pode transitar pela noite... e curtir o passeio!” disse ela, rindo.
Talvez outras pessoas poderiam pensar que aquele lugar, aquela situação, eram terríveis. Eu estava achando aquela caminhada linda. Ou talvez era a companhia. De repente bateu uma dúvida...
“Mãe, quando sair daqui, você vai ficar comigo?”
“Sempre estou com você” disse ela suavemente. “Você que não percebe...”
E voltou a rir.

E assim, amparado pela sua presença amorosa, segui meu caminho em direção ao Sol...

Imagens:
A Torre - Tarô Iniciatório Golden Dawn
A Torre - Tarô de Waite
A Torre  - Tarô do Círculo Ancestral



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